quinta-feira, 1 de julho de 2010

Escolhas...

Ah a maternidade! Cobranças e mais cobranças. Cobranças dos familiares, cobranças dos amigos, cobranças da escola, cobranças dos (ex)maridos, cobranças nossas! Porque a maternidade vem atrelada a um conceito de perfeição, que é utópico, mas que nem nós mesmas o vemos assim.
A Ana Claudia escreveu um post sobre as cobranças acerca da maternidade. Uma frase me marcou muito e, se a autora estiver lendo, me diga de onde li: "Se é pobre e fica em casa, é folgada. Se é rica e fica em casa, é madame. Se trabalha e não fica com os filhos, é ausente!"
Estou em casa e isso tem um preço: dependência. E isso é o que mais pesa. Em muitos casos o casal sabe lidar com a questão de um manter a casa e o outro ajudar como pode. Mas em muitos casos é muito difícil para o homem assumir o papel de provedor completamente! E isso é necessário quando a mulher decide por maternar até que os filhos estejam realmente preparados para entrar neste mundo maluco (digo isso porque tudo que mais queria agora era colocar a Daniela na minha barriga novamente para que ela não presenciasse nada do que tem presenciado).
A sociedade é cruel, nos cobra independência, mas também nos cobra a perfeição da maternidade. Acredito que toda mãe é perfeita para seu filho, independente da escolha que fez. Eu senti necessidade de ficar com a Dani em casa e percebi o quanto isso fez bem a nós duas, há até pouco tempo. Agora tenho me questionado, o quanto aguentarei as cobranças sociais e as minhas próprias cobranças. Porque deixar de se prover e depender de outra pessoa é humilhante, para não entrar em outros detalhes. É como uma amiga falou hoje para mim: "O mais humilhante é você ter que pedir permissão para comprar uma calcinha."... Mas quando o casal está de acordo, o marido até incentiva a mulher a cuidar das crias da melhor forma possível, incentiva a abrir mão de uma carreira e aceita a queda do padrão financeiro da família. Conheço um casal que vive muito bem, obrigada dessa forma. Outro casal está fazendo terapia de casal para tentar lidar com a questão de apenas o homem ser o provedor, pois ambos mantinham a casa até o nascimento do bebê.
Minha realidade não se encaixa em nenhuma das anteriores. Não sou mais parte de um casal, e como abri mão de tudo, TUDO pela família, agora estou pagando um preço alto. Acho que sou muito orgulhosa, sei lá... mas juro que nessa situação eu preferia manter a nossa casa sozinha, a ter que nos expor a esse cúmulo. Porque não faço mais parte da vida do outro, minha filha faz e sempre fará. Não sou obrigação de ninguém, ela é responsabilidade de ambos! Mas sinto que meu papel está perdido dentro de casa. Fico pensando no que minhas filhas pensarão da mãe, dependendo do pai delas. E nessa hora, sinto muita vergonha! O outro já tem uma vida e eu continuo dependente dele...
E por isso estou me questionando se foi a decisão mais acertada. O preço que estou pagando é muito alto, e, futuramente prejudicará minhas filhas. Eu sei disso! Mas será que, mesmo tendo a mãe pertinho delas 24h por dia elas iriam gostar de ver a mãe subjugada?
É muito complicado!
Beijos

Um comentário:

  1. Ah, Posso co-assinar seu texto? Parece q fui eu quem escreveu...
    Estou na mesmíssima situação que você. e devo dizer que o mesmo nó que está na sua cabeça agora está na minha...
    Mas eu quero voltar a trabalhar o quanto antes...
    Adoro a história q 1 amiga conta:
    Ela era editora no Jornal do Brasil. E o filho mais novo resolveu passar a noite na casa de um amiguinho, pra juntos fazerem o dever de casa na manhã seguinte e irem pra escola. ele nunca tinha dormido fora de casa antes. Minha amiga (Sílvia) com o coração na mão, deixou. Resistiu bravamente a pegar o telefone e ligar pra saber como o Fernando estava. "Se acontecer alguma coisa, a mãe do coleguinha me liga", pensou.
    No dia seguinte, ela correu pra pegar o filho na escola:
    - e aí, filho, como foi na casa do seu amiguinho?
    - Mãe, a mãe dele é uma inútil!
    - como assim, Fernando?
    - Ah, nós fomos fazer o dever de casa juntos de manhã, e ela sentou do nosso lado e ficou vendo a gente estudar. aí eu perguntei pra ela: você não tem nada pra fazer, não? você não vai trabalhar? E ela: não, eu vou ficar aqui com vocês. Daí eu perguntei: então, vc é que nem a minha mãe, que só sai pra trabalhar depois do almoço? Não, eu não saio depois do almoço? então, vc é que nem a minha tia que é médica, e depois que dá plantão fica dois dias sem trabalhar? Não, eu não trabalho. Então, você é uma inútil?

    quer dizer, o menino tava incomodado com o fato de a mulher não ter vida própria. e mais incomodado ainda pelo fato de a mulher se prestar a viver a vida e as responsabilidades dele. Ele não devia ter nem oito anos quando isso aconteceu.
    Hoje, o Fernando tem mais de 30 anos e é arquiteto. o irmão dele é piloto, e já morou por vários anos nos Emiraods Árabes Unidos.

    quer dizer, trabalhar fora não significa ser má mãe - o importante são os valores e o tempo que vc passa com e para seu filho...

    Abração, e que nossa senhora desatadora de nós esteja conosco! :o)

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