domingo, 23 de setembro de 2012

Das lutas solitárias pelos filhos...

Ai, ai... Momento reflexão...

Como é IMPOSSÍVEL seguir o que acreditamos nesse mundo. E vou contar, dói! Dor física mesmo, você ver um filho seguindo o curso da massa, sem pensar, simplesmente porque todo mundo faz/pensa assim.
O pior é sem suporte nenhum, sozinha, argumentando e se sentindo a "mãe de merda", que por desejar que o filho seja questionador, se auto-observe desde pequeno para, no futuro ter consciência de suas escolhas, acaba tendo que tomar atitudes/decisões que o ferem.
E, hoje, fiquei pensando na merda do consumismo. Na merda do valor estético. Na merda do mundo mesmo. Uma criança de seis anos que acredita que PRECISA combinar roupas, calçados, presilhas... Que mundo é esse? 
Posso fechar minhas crias na minha bolha? Porque juro, dói isso. Ouvir esses argumentos da minha filha. Principalmente, porque eu defendo que criança e consumo não combinam e não deveriam nem se conhecer, por acreditar que a sociedade que deveria proteger está transformando minha filha em mais uma consumidora compulsiva. Que estará individada antes de receber o primeiro salário, que vai gastar mais do que ganha.
E, aí entra a "mãe de merda", porque mesmo explicando, argumentando contra essa compulsão, argumentando contra esses valores deturpados, falsos, não tenho força diante da força do consumo. Que coisa triste, não? A voz de uma mãe não tem nenhum valor ou força, mas os apelos consumistas agem como lavagem cerebral, com poucas palavras ou imagens fazem a criança acreditar que ela será pior que as outras se não tiver, comprar, combinar, comer...
E, aí, hoje passei o dia mal. Me sentindo hipócrita.
Essa semana uma das lições de casa era "O que é sustentabilidade?". Difícil definir, mas usei alguns exemplos, o das fraldas biodegradáveis que compramos, o uso e reuso de roupas e calçados por elas e pela prima, o fato de cuidarmos da nossa casa. E, expliquei que ter o que precisamos é sustentabilidade, mais que isso é exagero e gasto desnecessário. E...
Que teoria linda! Mas, infelizmente, não podemos colocar em prática! A sociedade, a mídia, o consumo, a escola, quem deveria proteger a infância, não permite! Porque julga uma criança de SEIS ANOS por não seguir esse ou aquele apelo consumista.

"O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou?". 

Conversei muito com a Dani, expliquei muita coisa para ela. Ela chorou muito, ficou muito triste.
E eu também, chorei e estou aqui, desolada, cansada dessa luta! Porque sozinha, já me senti derrotada!
Mas não vou desistir, porque acredito que um dia, nem que demore, ela vai se questionar! Ela vai olhar além da beleza, da competição e ver pessoas, mundo, natureza, amor...
Um dia...

5 comentários:

  1. Show o post... eu imagino que a luta é dureza!
    Vejo meu namorado com o filho e dói, como vc mesma disse!

    Vamos ter fé, que a coisa vai mudar... pode demorar, mas vai mudar!

    ótima semana!

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  2. Lu, que desabafo! Pega leve com sua bambina. Ela só tem 6 anos e toda uma jornada de aprendizado pela frente. Vai fazer muita coisa errada, vai sucumbir, mas isso é parte do processo. E com essa mãezona, a base será sólida. E procure não se angustiar tanto. Esse mundo ao contrário realmente muitas vezes nos engole. Mas quando ele engole nossa alegria, é que o bicho realmente pegou. Obrigada pela reflexão. Me senti menos sozinha. Um beijão!

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  3. Olha me comovi muito, passo por esse mesmo dilema...
    Minha filha está com 08 anos é uma luta diária.
    Vou um dia de cada vez para que possamos chegar lá!

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  4. Sabe, Lu, a Sofia anda "precisando" de tudo q ve na tv .... o Discovery Kids, que até tempo atrás eu adorava (pois os desenhos são adequados, educativos e tal...), estou ficando com o pé atrás... agora, Netflix neles!!! Escolho a dedo o que vão assistir, e fico junto, pois cansei de discutir e tentar explicar pra Sofi que não tem como comprar TODOS os brinquedos que aparecem na tv... ela não gosta... acabo numa bronca, pq ela é muito insistente... depois vai pedir pras tias, tios, avós... super chato... resolvi mudando... temporariamente, quem não é visto não é lembrado... no mercado, minha estratégia é deixar que pegue tudo o que ela quiser e colocar numa cestinha, dela... e no fim, na hora do caixa, ela escolhe um item.... tem dado certo.... e na feirinha (com aquele moooonte de roupinhas de boneca e outros brinquedos....) entrego pra ela R$5,00... é o que ela terá pra gastar... assim, ela pergunta se "cabe" no dinheirinho dela... uma das vezes, ela perguntou e não dava pra comprar O vestido que ela quria... a moça disse que precisava de mais uma igual... ela voltou e perguntou quando a gente viri na feira... guardou o dinheiro na bolsa...no outro final de semana voltamos (Confesso, quase completei... por peninha... mas quis ver se ela ia lembrar...) e ela comprou toda alegre o tal vestidinho.... paciência Lu... tenho meus 2 furacõezinhos.... mas... vamo q vamo, né??? como maezonas que somos, damos sempre um jeito no final... e... nada que um abraço de mãe não console depois da dura realidade.... Beijos!!!! ps: temos q nos ver!!! pras kids fazerem um piquenique e curtirem um ar livre!!! Até!!!!

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  5. Lu, esse momento de questionamento vai chegar pode ter certeza, o agora é uma passagem, você é a melhor mãe do mundo pra ela, não temos dúvidas! Só as suas preocupações já nos esclarecem isso e quando você menos esperar a sua pequena vai perceber isso também, questionando o porque das coisas, mas tudo no seu tempo certo. Por enquanto esse é o momento da fantasia. Tenho certeza que muita mãe se sente como você e assim como elas também tem encontrado suas forças interiores contigo! Tenho orgulho de ti!

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