segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Essas pessoinhas...

...Que chegam em nossa vida sem serem convidadas. Que chegam abalando, causando, provocando todos os sentimentos controversos...
Essas pessoinhas que amamos acima de tudo...

Há onze dias ela chegou, sem fazer cena, sem melindres. Simplesmente chegou, antes do esperado. Acho que ela entendeu quando postei no Facebook "Mala da Catarina pronta!"e resolveu que queria olhar pessoalmente o que a mãe tinha preparado para ela.
Acho que resolveu que não queria participar da Feira de Natal dentro da barriga, ou que queria era ver de pertinho a apresentação da Daniela do circo.
Essa é a Catarina, minha guerreirinha que desde o primeiro momento em minha vida, causou...
Causou medo, tristeza, pavor, susto, e... ALEGRIA! Demorou, mas nos entendemos e nos aceitamos e hoje, nos amamos muito! Como pode um amor infinito multiplicar por três, assim... Simplesmente aumenta, chega a doer de tanto amor!

Era madrugada de quarta-feira, dia 28 de novembro. Acordei e fui fazer xixi. Senti muita dor e avisei ao Dani que poderia ser outra infecção urinária. Disse que ligaria para a médica e pediria uma guia para exame. Voltei a dormir, mas acordei às 6h à mil. Arrumei a cozinha para o café, arrumei a cama, ajeitei a casa... Quando comecei a sentir muita dor na lateral esquerda das costas. Tinha certeza que era rim e liguei pro Dani voltar do trabalho na hora, pois eu estava tendo vertigens de dor. As meninas acordaram bem nessa hora e, a minha mocinha, Daniela, correu se trocar e colocar o crocs na Alice, pegou pãozinho e deu pra Alice também. Eu já não pensava mais, só urrava de dor. Tinha contrações sem nenhuma dor, mas a dor nas costas já tinha irradiado para a barriga. A Daniela me disse "mãe, vou abrir a porta e se você desmaiar eu vou chamar os visinhos!". Nossa, ela amadureceu em minutos.

Quando o Daniel chegou, me levou para o carro e uma moça ajudou a descer as meninas. Eu pedi para ir ao Hospital Santa Cruz, mas a dor era tanta que mudei de idéia e pedi que fossemos ao Nossa Senhora das Graças por ser mais perto. A partir daí eu tenho flashs. A médica que me atendeu era grosseira, me mandou parar de gritar durante o toque porque não adiantava. Ela pediu o contato da minha médica (aquela querida que me deu o pacote cesárea eletiva + laqueadura), falei o nome e ela conseguiu o contato - PS: Eu só tinha celular e carteira na mão porque a Daniela pegou para mim antes de sair de casa. Lá a UTINeo estava lotada e, caso fosse necessário não teria como alojar a Catarina.
A médica mandou que fossemos para a Maternidade Nossa Senhora de Fátima, pois ela deixaria de sobreaviso que eu estava indo para lá e aí... Lembro de pouca coisa.
Eu, em alguma sala, em algum momento me vi sozinha e liguei para minha mãe.
Em algum momento, foi visto que eu estava em trabalho de parto, sem dilatação e com uma dor que não era normal.
Em algum momento eu senti uma dor imensurável quando ouvi que teria que fazer a cesárea para poder me tratar...
E de repente uma dor, uma queimação, a anestesia descia pelo meu corpo como ácido, senti ela passando pelas minhas veias... Foi horrível! Eu chapei, não parecia eu, meu corpo... E, em algum momento o anestesista me ergueu e via aquela cabecinha pequenininha, redondinha, com pouco cabelo (meu parâmetro é a Dani que nasceu com os cabelos que tem hoje). E então, eu vi a Daniela no corredor do quarto me dando as boas vindas e contando que a Catarina era linda e ela estava muito feliz!
Então, entrou o pediatra avisando que ela seria removida para a UTI pois estava com dificuldade para respirar. Chorei muito! Sempre disse que não tinha vocação pra mãe de UTI, que minhas bebês tinham é que ficar embaixo da minha asa desde sempre! Mas... Novamente minha vida e das minhas filhas estava fora do meu controle! E só me restava chorar muito!
Consegui conhecer minha atrevidinha às 23h, depois de tomar banho, com muita dor, muito sofrida! Chorei rios, cantei e ela dormiu segurando meu dedo e ouvindo o hino que eu e a Daniela ensaiamos para sua chegada: "Bem vindo meu novo ser, cercado de proteção. De tanto amor, tanta Paz dentro do meu coração. É como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar!" Mas, o máximo que eu podia era colocar a mão sobre ela. Então, a enfermeira me lembrou que estava fora do horário e que eu deveria sair. Doeu muito sim! Não descansei, estava com muita dor, no corpo e na alma!
No dia seguinte, respeitando os horários de visitas, fui ver minha pequena. Estava com os cabelinhos raspadinhos, com um acesso na cabecinha, com os bracinhos, mãozinhas, pézinhos, pescocinho roxos, tudo furadinho... Ai, como doeu! Ela estava com a sonda alimentar e dormindo. Nossa, como chorei! Não podia pegar no colo, cheirar... Só ollhar e acariciar pelos buracos do berço. E assim, passamos o segundo dia. No terceiro dia, consegui o direito de pega-la no colo e, a tarde, era a visita dos irmãos. A Dani olhou para ela, acariciou, cantou nosso Hino e disse "Mãe, como a gente fala quando quer chorar dde feliz? Que está?" "Emocionada, Filha!" "É, estou emocionada! Ela é linda" e, ouvindo a voz da irmã, Catarina (lembram que ela veio para causar...) arrancou a sonda alimentar! E, para a minha felicidade, a enfermeira que me via chorar o tempo todo, perguntou se eu queria amamentar! E... Foi lindo! Ela sugou forte! Mamou como um bebê de 40 semanas, mamou bastante e recusou o complemento! Avisei que voltaria em todos os horários de amamentação para amamentar mas... Se eu atrasasse cinco minutos, ao invés das enfermeiras ligarem perguntando por mim no quarto, elas davam MAMADEIRA com NAN pra minha pequena! Isso aconteceu três vezes. No mesmo dia ela foi colocada na Fototerapia (icterícia ABO) e a acesso foi fechado. Ela ficou dois dias na UTINeo fazendo fototerapia. Quando surtei! Falei que queria ela no quarto comigo, que pelo Estatuto da criança e do adolescente nos duas tínhamos o direito de ficar juntas e que eu não ficaria indo com horário marcado amamentar. No sábado, recebi alta e consegui que colocassem ela no quarto comigo. Aí...
A recepção do hospital ligou algumas vezes no meu quarto, dizendo que eu tinha que ir acertar minha alta pois tinha uma cobrança de R$1500,00 de honorários médicos e que eu tinha que pagar em dinheiro ou cheque, se eu não pagasse eles não me dariam alta e eu teria que pagar diárias do hospital (que incluiam quarto, enfermagem...) e minha bebê continuaria "como se estivesse na UTI". Lógico, o plano continuaria cobrindo a UTI mas não cobria mais o quarto que sairia mais barato! Pagamos contrariados por N razões, mas principalmente porque esse valor era devido à médica e não ao hospital. Bem, tudo certo, Daniel foi dormir com as meninas em casa, pois elas estavam muito carentes! Eis que, 1h da madrugada entra um segurança em meu quarto perguntando se estava tudo bem, pois estava chovendo MUITO! Cinco minutos depois o quarto desabou na minha cabeça, chovia cachoeira no quarto, foi o tempo de tirar a mochila com o ipad da cama e chover por tudo. Sai pedindo ajuda e imediatamente chegou uma enfermeira com uma chave de quarto para me realocar com a Nina (e ela mamando). Esperei que elas voltasse e levasse minhas coisas e fui para o novo quarto.
Sabe aqueles quartos de hospital de filme de terror? Azulejos azuis, torneiras antiquissímas, box plástico, armário sem prateleiras, alto sem ter como guardar as coisas, uma cadeira de churrasco sem braço, a cama chiava quando eu apertava o botão para subir ou descer.O "bercinho" era de ferro, muito estranho... Um horror. Na mesma hora liguei na recepção e pedi para mudar de quarto, pois estava sozinha, com muita dor e no banheiro não tinha barras de apoio e no quarto não tinha cadeira segura para apoiar meu peso. Fui informada que não tinha outro quarto mas que no dia seguinte era para tentar novamente. No dia seguinte, fui falar com a pediatra que viu que Nina estava muito amarelinha e retornaria para a Foto. Avisei que queria ela no quarto e que se o hospital não me trocasse de quarto eu pediria remoção para o Santa Cruz, pois lá tinha estrutura para alojamento conjunto. Isso começou as 9h da manhã. Depois de muito stress, fui trocada de quarto às 21h, após ouvir das enfermeiras do corredor "As mães vem pro hospital querendo que seja hotel cinco estrelas"e uma outra no telefone dizendo "Não sei o que tá ruim no quarto, ela quer trocar por outro melhor, sei lá!"...
Fomos para o novo quarto, pequeno mas aconchegante e seguro e lá passamos a noite mais tranquila de todas, com Nina ao meu lado! No dia seguinte, depois de estar bem branquinha e ganhando 35g só mamando na mamis, ela recebeu alta! E eu, recebi o melhor presente de todos, muitos elogios da pediatra!

Hoje, onze dias depois ainda resolvo problemas com o hospital, e com certeza não deixarei passar impunemente todo o stress que passei no momento em que eu precisava de paz! E, em casa com minhas três meninas e meu amor, comemoro os 2cm que minha pessoinha ganhou nesses dias e seus 77g ganhos por dia!

Viva minha Catarina, essa menininha forte de tudo!