quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Me perdoem, minhas filhas!

Hoje se inicia o ano letivo da Alice e a Dani.
E eu, aqui, de coração partido. Arrependida da vida. Pensando em tudo que deveria ter feito diferente.

A crise, aliada a um mau investimento... Alguns ajustes precisaram ser feitos e... Escola pública aqui vamos nós!
E a dor, é ver minhas filhas pagando por um erro meu. E novamente penso no que teria feito diferente!

Uma salinha, 30 crianças.
Alice é a menorzinha. Tão míuda andando em meio a uma multidão. Olhinhos arregalados, "Mãe, estou com medo!". "Não mãe, pode deixar que ela vai com os amiguinhos."...
Daniela, assustada. Pupilas dilatadas, dedinho na boca em sinal de apreensão! "Vai filha e tenha um ótimo ano de escola. Se precisar pede para ligar para a mamãe!". E lá se vai a multidão do 4° Ano.

Nunca desejei que minhas filhas fossem somente mais uma na multidão. Estou sem chão! Me sentindo um fracasso.
Não dormi a noite toda, pensando em como poderia reverter essa situação.

Reunião na quadra. "Pais, se puderem contribuir com a Associação de Pais, pois o Governo Federal não repassou a verba no ano anterior e, a princípio, não repassará esse ano novamente."... Fiquei pensando se junto com o casaquinho, mando um rolo de papel higiênico para garantir que elas poderão se limpar após irem ao banheiro.

Nunca desejei que minhas filhas fossem sobreviventes do sistema. E estou sem chão! Me sentindo pequena!

E penso no meu pai, desejoso de que eu buscasse a estabilidade do serviço público. E penso que talvez ele tivesse razão... E queria que ele estivesse aqui para confortar meu coração, despedaçado por tirar minhas meninas da segurança, da qualidade, das amizades, do carinho das escolas que elas tanto amam!

De verdade, hoje só consigo sentir raiva. Raiva da vida. Raiva de ter jogado fora nosso dinheiro e ter que sacrificar minha família dessa forma.
E desejo do fundo do coração, que essa raiva passe e eu consiga erguer a cabeça e sorrir na hora de buscá-las do lado de fora do portão da escola!